Os Tipos de Alma
Há pessoas que são Desertos. Há outras que são Oceanos. Há outras que são Almas Circenses. A infinitude de tipos e de termos as quais podemos associar as almas dos seres humanos é instigante e interessante. Hoje ao voltar para casa em um condutor estive a pensar exatamente sobre isso e ao observar as pessoas em seus assentos cada uma com sua vida particular, seus sonhos, desilusões, desacertos, fiquei a refletir sobre seu uni-verso interno e por um momento estive nas almas de cada um.
A Alma-deserto, por exemplo, pertence a um tipo humano muito comum que tem em si a secura das cores da própria vida. Todo seu universo interior é vazio, deserto, em que existe um silêncio aterrador. A vida para aqueles que possuem este tipo de alma é uma vida de extremidades bruscas. Quando se está de dia o calor é insuportável e à noite é fria que congela seu coração que bate descompassadamente triste. È claro que a vida não é todo martírio para essas pessoas. Eles possuem, dentre outras coisas, verdadeiros oásis em que se refugiam quando a vida parece perdida. Pode parecer um truque banal, mas é o que sustenta a vida destas pessoas, doce ilusão que desaparece de repente deixando triste o intransigente infeliz.
O relógio das Almas-desertas só possui o Tic.
Porém, também surgiu a imagem das pessoas que possuem a Alma-oceano. Você leitor já apreciou o mar? Melhor ainda, um lago cuja superfície está calma. Perceba que a superfície parece tão calma e sólida que dá vontade de caminhar sobre ela. Há pessoas que se aventuram a caminhar sobre as Almas-oceano, porém descobrem que ao investir sobre as mesmas mergulham a fundo na alma dessas pessoas desordenando tudo e acabam por descobrir que a superfície era apenas uma ilusão boba de uma vida que se estufa em seu interior. Há uma abundância de vida, cores, etc. Universo oculto que não enxergamos em que somente vemos a parcialidade do que se é.
O relógio das Almas-oceanos só possui o Tac.
Há, porém, um tipo especial. Um tipo de alma mística e profunda. É a Alma-circo. Neste tipo os transeuntes estão sempre sorridentes e se divertem com o espetáculo que é a vida (seu grande picadeiro). Seres humanos que fazem malabarismos para viver, que realizam verdadeiros saltos mortais para que outros possam ter uma chance, pessoas que bancam os palhaços para que os outros se divirtam e quando não conseguem recorrem aos truques mais tolos e imbecis que fazem qualquer pessoa sorrir. Bailarinos da vida que contornam os problemas mais difíceis com piruetas. Sujeitos escalenos, esquipáticos que dançam na chuva e que ao enxergar qualquer pessoa triste tratam de arrancar da cartola (seu coração) a mais bela flor.
O relógio das Almas-circo faz tic-tac.
Eu apenas sou um ardoroso espectador deste show que é o interior de cada um… Volto dos meus pensamentos e vejo que o ano está por acabar e de repente penso sem silogismo algum e com uma certa felicidade que meu coração faz tic-tac…
(Texto do filme "The Elephant Man" )
O nosso interior inunda e se eleva.
ResponderExcluirÁs vezes também ponho-me a pensar sobre a interioridade dos seres humanos, mas quanto à mim, creio que tenho estados de alma. Minha alma é tão vasta quanto um oceano, mas certas vezes possui a secura de um deserto. Não sei se porque já possui, ou se a vida e os outros seres humanos a tornam, por vezes, desta forma. Certos dias minha alma possui um estado febril, e em outros ela se petrifica. Alguns dias acordo com uma dor em meu peito, que é quando minha alma deseja sair para fora de mim, e são nesses mesmos dias em que me transbordo como um rio a desaguar em algum afluente, que penso que seja uma outra alma como a minha… Mas como você também penso, será que há outro ser, que com sua alma, transborda em outra alma?
A magnitude desta vida está em sermos nós mesmos, mas buscarmos entender nos outros o que não entendemos nem mesmo em nós.
Beijos…